Sessões

Sessão I: Os corredores ferroviários numa perspetiva histórica: o caso do Mediterrâneo

As comunicações ferroviárias têm-se vindo a consolidar-se historicamente como grandes eixos no seio dos territórios nacionais e também nas grandes unidades territoriais continentais. A criação, o desenvolvimento e a consolidação da União Europeia enquanto espaço político, económico e social tiveram lugar a partir da acessibilidade resultante do alargamento progressivo dos territórios por parte dos diferentes Estados-Membros. A partir deste facto, os chamados corredores passaram a ter uma importância fundamental para planear o futuro das ligações ferroviárias no seio da União. O corredor do Mediterrâneo peninsular é um dos mais relevantes. O conhecimento histórico de como se foi configurando é fundamental para poder explicar e relançar a sua continuidade melhorada de cara ao futuro, a fim de potenciar este eixo territorial no âmbito da estruturação do território da União Europeia. Nesta sessão, apresentam-se investigações que lançam luz sobre o processo de constituição histórica da rede ferroviária básica e auxiliar do eixo do Mediterrâneo peninsular espanhol. O estudo de outros exemplos de corredores da bacia mediterrânica — especialmente no sul e no leste do Velho Continente — e noutras áreas do mundo, vem demonstrar que o conhecimento histórico da formação dos corredores ferroviários é fundamental para articular o espaço unificado de qualquer um dos territórios a que tenha afetado.

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Sessão II: Os Caminhos de Ferro Regionais e Autonómicos

Uma das características mais destacadas do sistema ferroviário espanhol é ter contado com uma rede ferroviária de caráter regional que, após a criação do Estado das Autonomias, passou a ser gerida pelos governos das Comunidades Autónomas. Esta sessão tem como objetivo estudar a gestão levada a cabo pelas administrações regionais, com especial destaque para a FGV, que celebra o seu 30.º aniversário. Os objetivos da sessão centram-se na análise da evolução institucional das empresas responsáveis pela sua exploração, tendo em conta a evolução das suas principais variáveis socioeconómicas, bem como o serviço prestado ao longo destes anos.

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Sessão III: Os caminhos-de-ferro na Segunda República e na Guerra Civil

Um dos períodos em que a historiografia ferroviária tem dado um contributo mais reduzido é o que corresponde à Segunda República e à Guerra Civil. Com a organização desta sessão, pretende-se avançar na análise desta etapa, abordando o estudo das políticas ferroviárias concebidas e aplicadas, bem como os correspondentes sistemas de gestão utilizados entre 14 de abril de 1931 e a nacionalização de 1941, com ênfase no papel crescente do Estado e na concorrência com o transporte rodoviário. Para enriquecer o conhecimento, serão também analisados processos semelhantes noutros países.

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Sessão IV: Engenheiros e caminhos-de-ferro, séculos XIX e XX

No contexto da formação do Estado liberal e da ascensão da burguesia ao poder, tornou-se necessário contar com um novo corpo profissional especializado no planeamento e execução de obras públicas: os engenheiros civis. O seu papel foi determinante na conceção do traçado ferroviário, bem como na criação e gestão das companhias ferroviárias. De acordo com esta abordagem, nesta sessão serão abordados aspetos como a formação técnica e prática dos engenheiros civis; a sua contribuição para a configuração da rede ferroviária espanhola e portuguesa; o papel que desempenharam nas diferentes administrações públicas em matéria de caminhos-de-ferro em particular, e de transportes em geral; o papel que desempenharam nas companhias ferroviárias e na própria RENFE; as contribuições para a história ferroviária de outras categorias de engenheiros, bem como a exportação dos seus conhecimentos e know-how para outras regiões do mundo, em especial a América Latina. É por isso que, a partir dos temas abordados, a sessão pretende apresentar novos dados de investigação com o objetivo de promover o debate académico em torno de um tema especialmente relevante: a formação de capital humano e a sua contribuição para o desenvolvimento económico através das infraestruturas, neste caso, as ferroviárias.

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Sessão V: Caminhos-de-ferro e cidade

A vertente espacial da história ferroviária, tal como tem vindo a acontecer há já algum tempo com a história urbana, é cada vez mais relevante. Se a história urbana deve ser, muitas vezes, história urbanística, a história ferroviária também pode ser abordada numa perspetiva urbano-territorial. Aqui cabem muitas abordagens: a da morfologia urbana, a da estrutura urbana e territorial, a do sistema de cidades, etc.

Para o VIII Congresso de História Ferroviária de Valência-2017, aceitámos seis propostas de comunicação com a temática acima referida. Três delas dizem respeito à escala urbano-metropolitana e regional, e o seu âmbito de estudo são as metrópoles de Barcelona e São Paulo, bem como a região adjacente à cidade de Campina Grande (Brasil). As outras três comunicações de natureza geográfico-urbanística abordam a vertente do sistema urbano (acessibilidade territorial) ou a comparação geral (caminhos-de-ferro e crescimento urbano). O seu âmbito de estudo é a Espanha em diversos períodos da segunda metade do século XIX e da primeira metade do século XX.

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Sessão VI: Património

Muito subestimado, o património ferroviário abrange muito mais do que os edifícios de passageiros das estações, dos quais apenas alguns estão protegidos ou, pelo menos, inventariados. A estação ou o traçado de uma linha envolvem, para além dos aspetos materiais, os imateriais, como o espírito do lugar, a memória coletiva ou a configuração de espaços inéditos. Elementos sem os quais o significado desaparece ou se distorce, tornando-se, portanto, aspetos fundamentais a proteger. Trata-se não só de questões arquitetónicas ou técnicas, como o estilo, o espaço, as características construtivas ou singulares dos edifícios, a materialidade e a tecnologia próprias; mas também de funcionalidade, memória coletiva, escritos e bibliotecas que serviram de base aos engenheiros ou arquitetos projetistas, e da configuração do espírito do lugar, entre outros.

Assim, a sessão é abordada a partir de diferentes disciplinas académicas, com o objetivo de mostrar a vasta dimensão material e imaterial que este património rico, único e singular reúne, embora muitas vezes com a intenção de contribuir para a sua adequada e necessária valorização.

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Sessão VII: Política económica, ideologia socialista e ação sindical em torno dos caminhos-de-ferro

O objetivo desta sessão dupla. Por um lado, abordar, pela primeira vez, o papel atribuído ao caminho-de-ferro no pensamento económico socialista e a sua influência nas políticas aplicadas ao longo dos séculos XIX e XX. Mais concretamente, serão abordados os socialistas utópicos, e, em especial, os sansimonianos, pelo papel que desempenharam na construção das redes ferroviárias do sul da Europa; e, em segundo lugar, promover-se-á a apresentação de textos que analisem o papel atribuído ao caminho-de-ferro nas principais teorias socialistas e a forma como estas foram incorporadas nos programas dos partidos social-democratas. Por último, textos que estudem os programas socialistas que sustentaram a nacionalização do caminho-de-ferro e a forma como estes se adaptaram posteriormente às políticas de liberalização impulsionadas pela União Europeia.

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Sessão VIII: Geral

O congresso pretende servir de fórum para o debate e a divulgação de novos estudos e investigações sobre História Ferroviária. Para tal, a Sessão Geral reúne as comunicações que, embora cumpram os requisitos de qualidade científica previstos, não podem ser incluídas em nenhuma das sessões anteriores. Nesta ocasião, o Comité Científico aceitou treze propostas de comunicação que abordam temas muito diversos: conceção, construção ou exploração de linhas, tecnologia, apoios públicos, caminhos-de-ferro mineiros, legislação ferroviária e turismo.

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