Sessão V

Caminhos-de-ferro e cidade

Relatores: Luis Santos e Ganges

Doralice Sátyro Maia e Elizângela Justino de Oliveira
As ferrovias e a centralidade no Nordeste brasileiro: uma análise da centralidade intraurbana e regional de Campina Grande-PB (Brasil)

A implementação da ferrovia no Brasil ocorre a partir da segunda metade do século XIX, quando são aprovadas leis que concedem a algumas empresas, principalmente de capital internacional, o privilégio para a construção das ferrovias. O principal objetivo das ferrovias brasileiras ao longo do tempo (séculos XIX e XX) era ligar os portos às áreas de produção, priorizando a economia. Assim, a ferrovia, ao interligar cidades aos portos, conferiu impulso à centralidade regional, ao promover a fluidez no transporte de produtos agrícolas e de matérias-primas exportadas para a Europa. Já na escala intraurbana, a ferrovia é um marco na história das cidades, pois não exigia apenas os carris e a estação, mas uma série de equipamentos e alterações no uso do solo que modificam a morfologia das cidades e a sua dinâmica socioeconómica. No Nordeste brasileiro, a Ferrovia Great Western Railway Company of Brazil chega à cidade de Campina Grande em 1907. Tal facto representa um marco na história da cidade, pois tanto há alterações na sua morfologia, como impulsiona a centralidade regional na rede urbana brasileira. As questões centrais que orientam a investigação são: i) Qual a importância da ferrovia para a expansão da rede urbana regional? ii) Quais as alterações provocadas pelo equipamento técnico na morfologia urbana de Campina Grande? Assim, tem-se como objetivo analisar as implicações da Ferrovia Great Western – ramal de Campina Grande –, tanto na escala intra como interurbana. Para tal, serão utilizadas as seguintes fontes documentais: relatórios e mensagens dos presidentes da Província da Paraíba; relatórios dos ministros responsáveis pelos ministérios de obras públicas e transportes; agricultura e obras públicas; relatórios, decretos e leis da ferrovia em análise; jornais e revistas impressos de circulação na Paraíba no período analisado, tais como: o Jornal “A União” e a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Parahibano.

  Texto completo


Fernanda de Lima Lourencetti
O papel da mobilidade na consolidação do interior de São Paulo. O caso da Estrada de Ferro Araraquarense (séculos XIX-XX)

Este artigo apresentará a Estrada de Ferro Araraquarense, no Brasil, numa perspetiva histórica. Em 1885, foi inaugurada a primeira estação ferroviária desta linha na cidade de Araraquara; foi o início de um ramal ferroviário que integrou o desenvolvimento da região oeste do Estado de São Paulo, conhecida como Sertão Paulista. O crescimento desta ferrovia permite explicar o papel da mobilidade na organização de toda uma região, quer através do desenvolvimento das divisões municipais, quer do avanço industrial. O sucesso deste tipo de empreendimento esteve diretamente ligado à necessidade de transporte de mercadorias, pessoas e conhecimento. Assim, a Estrada de Ferro Araraquarense integrou-se numa série de estratégias destinadas a garantir o crescimento económico e a expansão territorial de uma parte do interior de São Paulo. A desvalorização da ferrovia teve início em meados do século XX, após o advento das rodovias, e causou dificuldades financeiras ao setor ferroviário em escala regional e nacional, o que levou as empresas a priorizar o uso do comboio para o transporte de mercadorias. O estudo dessa história é uma investigação interdisciplinar, que requer a introdução de várias abordagens e leva a investigação a abranger fontes da história urbana, económica, tecnológica e empresarial. Por conseguinte, o estudo deste desenvolvimento ferroviário tem uma relação muito estreita com o desmatamento da região desconhecida do Estado de São Paulo entre os séculos XIX e XX. Assim, este trabalho visa colocar em paralelo as histórias económica, territorial e ferroviária para destacar a participação da mobilidade proporcionada pelo comboio na criação de novas cidades e no desenvolvimento industrial, o que pretende explicar a importância da participação da infraestrutura ferroviária durante a consolidação do interior de São Paulo.

  Texto completo


Enrique Viana Suberviola
Modelização digital dos planos ferroviários de Barcelona não implementados

A rede ferroviária de Barcelona sofreu diversas alterações ao longo da sua história devido à elaboração de vários planos territoriais que ampliavam ou modificavam a sua estrutura. No entanto, vários dos projetos de ampliação dessa rede foram interrompidos ou alterados por múltiplas razões. A presente comunicação pretende analisar dois dos modelos de rede que nunca foram implementados: o plano de metro de 1966 e o plano diretor de infraestruturas 2009-2015. Nesses planos, propõe-se a criação de redes ferroviárias onde primam a intermodalidade e a conectividade global de todo o sistema. Graças às técnicas SIG, foi possível determinar se esses projetos eram viáveis e úteis para o propósito para o qual foram concebidos e comparar esses modelos teóricos que não foram concretizados com os modelos que acabaram por ser implementados.

  Texto completo


Eduard Alvarez-Palau, Rafael Barquín, Jordi Martí-Henneberg, Olga Macías, Mateu Morillas, Pedro Pablo Ortúñez, Jorge Solanas
O fator ferroviário no crescimento urbano em Espanha (1850-1960)

Neste estudo, pretendemos analisar a evolução urbana de um conjunto de cidades que, antes de 1900, já dispunham de uma estação ferroviária, incluindo as de via estreita. A compilação e análise evolutiva em SIG de uma série histórica de mapas e plantas permitirá avaliar a influência do caminho-de-ferro no seu ordenamento e expansão urbana.


O conjunto de cidades estudadas distribui-se por todo o território espanhol. Foram selecionados basicamente os municípios que, em algum momento, ultrapassaram os 10 000 habitantes, com um mínimo de dois por província. Foram também incluídos todos os portos dotados de estação, bem como cidades em cruzamentos de vias relevantes, como, por exemplo, Monforte de Lemos. No total, serão disponibilizados cerca de 70 municípios para este estudo.

Esta recolha de informação cartográfica permitirá uma descrição inovadora sobre a evolução morfológica das cidades que, em Espanha, já dispunham de ferrovia durante o século XIX e que, consequentemente, são passíveis de um estudo a longo prazo. A estação tem sido um núcleo que irradiou atividade, enquanto a linha ferroviária condicionou a expansão das cidades. Trata-se de um tema de grande atualidade, uma vez que a nova rede de alta velocidade é debatida à entrada de cada cidade entre estações periféricas ou centrais. O percurso histórico até ao surgimento do transporte rodoviário aqui proposto permitirá trazer uma perspetiva temporal a um debate de grande importância no planeamento de infraestruturas.

  Texto completo