TsT38. 2019.

Artigos

♦ Ana Lucia Duarte Lanna
Ferrovias no Brasil: o território e as cidades)
Resumo:
O artigo pretende apresentar algumas das articulações entre a expansão ferroviária, a consolidação do território e a estruturação das cidades no Brasil, indicando a pluralidade e a complexidade dos caminhos percorridos entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Para tal, utilizamos, além da bibliografia, uma vasta documentação que inclui histórias locais, notícias da imprensa, relatórios anuais das companhias ferroviárias, relatórios consulares franceses e relatórios de agentes comerciais. A associação entre caminhos-de-ferro, velocidade, mobilidade e progresso constituiu uma peça central na construção das representações sobre a modernidade. A investigação revela que as condições prévias e as particularidades de cada localidade interferiram de forma decisiva nos significados que o caminho-de-ferro trouxe para a organização do espaço urbano. Criando cidades como no Noroeste, definindo cidades industriais como em Jundiaí, fazendo parte da constituição de uma metrópole como em Campinas e São Paulo, os impactos são inegáveis, mas distintos.

♦ Magda de Avelar Pinheiro
Ferrovias, Cidades e Estações em Portugal, do final do século XIX ao século XXI
Resumo:
Este artigo relaciona a construção das estações ferroviárias com as teorias e práticas do planeamento urbano. Trata-se de situar o lugar das estações ferroviárias no urbanismo moderno ensinado nas escolas, sob a influência do movimento Cidade-Jardim ou nas ideias urbanísticas dos arquitetos que se organizaram nos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna (CIAM). As New Towns dos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial procuraram conciliar os dois movimentos e, nelas, as estações ocupavam um lugar central. As estações ferroviárias ganharam novas funções e novos modelos arquitetónicos, sobretudo nas Villes Nouvelles de Paris. Na procura de uma abordagem comparativa, estuda-se especificamente o caso português desde o final do século XIX até ao início do século XXI.

♦ Stefano Maggi
Ferrovias e desenvolvimento urbano na Itália. As localidades de paragem entre Siena e Follonica, na Toscana. 1859-1961
Resumo:
Durante o século XIX, o caminho-de-ferro trouxe as maiores mudanças, também devido ao facto de a Itália ter um território em grande parte montanhoso. Mesmo nas antigas cidades portuárias, as vias estenderam-se desde os cais até aos limites das áreas construídas e foram construídas grandes estações marítimas que movimentavam as mercadorias, contribuindo também para o crescimento urbano. No campo, as vias-férreas ao longo dos vales dos rios atraíram os residentes dos centros medievais nas colinas, e foram construídos novos povoados em torno das estações, os chamados «paesi scalo» (povoados ferroviários).
A estação ferroviária era algo completamente novo em comparação com as antigas estações de correios, que se situavam no coração das cidades e se integravam nos centros históricos. A partir da década de 1840, as principais cidades italianas sofreram uma transformação urbana, causada pela construção das estações terminais ou de trânsito. Este artigo analisa a localização das estações em duas cidades italianas, uma cidade medieval e uma cidade portuária, Siena e Follonica.

♦ Doralice Sátyro e Elizângela Justino
As ferrovias no Nordeste brasileiro: uma análise da centralidade intraurbana e regional de Campina Grande-PB (Brasil)
Resumo:
As ferrovias constituem um elemento técnico representativo do impulso dado à industrialização e à urbanização no século XIX. Este sistema de transporte foi implementado no Brasil ao longo do século XIX e, de forma mais efetiva, no início do século XX. O objeto de análise desta investigação é a ferrovia da cidade de Campina Grande, localizada no Nordeste brasileiro. As ferrovias introduzidas no interior do território brasileiro tiveram como principal função o transporte de produtos agrícolas e pecuários. O objetivo principal é revelar a importância deste objeto técnico para a consolidação da cidade de Campina Grande como centro regional, bem como para a formação da sua área central. Trata-se, portanto, de uma investigação na perspetiva de duas escalas geográficas: urbana e regional, ou intraurbana e interurbana. As principais fontes documentais primárias utilizadas foram: os relatórios, discursos e mensagens dos presidentes das províncias e/ou do Estado da Paraíba, relatórios do Ministério da Indústria, Vias e Obras Públicas e as Estatísticas das Vias Ferroviárias da União e das inspecionadas pela União.

♦ María Alejandra Saus
Das «muralhas de ferro» (1927) até à Circunvalação (2016). Critérios ferroviários e urbanísticos para a cidade de Santa Fé, Argentina
Resumo:
Os ciclos de utilização das infraestruturas ferroviárias e os paradigmas do urbanismo definem unidades históricas que marcam descontinuidades ao longo dos séculos XX e XXI. Cada um desses períodos cristaliza fases de expansão material do capital com efeitos urbanos específicos decorrentes das políticas públicas de transportes. Este artigo aborda o caso da cidade de Santa Fé e estuda cinco planos urbanísticos com dois objetivos concomitantes: um sincrónico e outro diacrónico. O primeiro descreve os critérios ferroviários e urbanísticos reunidos por cada plano, enquanto o segundo os situa na evolução do binómio ferrovia-cidade. Utilizando a metodologia da análise documental, o trabalho divide-se em duas partes. A primeira apresenta o caso e constitui um panorama das histórias da ferrovia e do urbanismo na Argentina. A segunda examina os planos de Santa Fé, considerando a ferrovia como problema e oportunidade.

♦ Susana Serrano e Pedro A. Novo
Planeamento e infraestruturas: Bilbau, a cidade estrangulada (1900-1975)
Resumo:
Se aceitarmos o axioma de que as infraestruturas de comunicações influenciam o desenvolvimento das cidades e que os meios estruturais que o tornam possível determinam a própria forma destas, o objetivo do presente artigo é analisar os défices gerados por estas, em relação ao tecido urbano, para abordar, em paralelo, as soluções apresentadas no planeamento da região do Grande Bilbau durante a primeira metade do século XX e que só se concretizaram nas décadas de 80 e 90.

Críticas

♦ Nuria Rodríguez Martín
Vicente Pinilla, Luis Germán e Agustín Sancho, O transporte público em Saragoça. De 1885 até aos dias de hoje
♦ Jesús Mirás Araujo
Luis López Molina (diretor), Teresa Pontón e María Vázquez (coordenadoras), Cádis: do florescente século XVIII ao Port of the Future do século XXI