Com a palestra do doutor em Economia Joan Alemany, intitulada «Portos e caminhos-de-ferro: uma relação de interesses comuns», foi inaugurado o ciclo de seminários da plataforma City, Rail and Port, que se propõe a desenvolver uma rede interuniversitária de investigadores, com um espírito aberto e uma vocação interdisciplinar.
O seminário de Joan Alemany revelou-se muito interessante, tanto pelo seu caráter didático como pela ampla abordagem de temas relacionados com as ligações ferroviárias e portuárias numa perspetiva histórica, que o orador apresentou com evidente sucesso. Em primeiro lugar, foi feita uma análise da importante contribuição da revolução industrial para o desenvolvimento dos sistemas ferroviários e portuários. Ambos os processos decorreram em paralelo e alimentaram-se mutuamente em muitos momentos. Para ajudar a compreender todos estes processos, o autor apresentou dados de casos concretos na Península Ibérica, na América Hispânica ou em portos africanos, entre outros. O processo de expansão e crescimento dos portos e dos caminhos-de-ferro prosseguiu ao longo de todo o século XIX, atingindo o seu apogeu nas décadas de transição entre séculos, para entrar em claro declínio já nas décadas de 1960-1970. O surgimento da rede rodoviária levou ao declínio das ligações ferroviárias aos portos; no entanto, com o novo milénio e a expansão do sistema de contentores, observam-se novamente algumas revitalizações destas ligações ou propõem-se outras novas.

Mas, tal como o relator salientou, a sua análise tem também uma vertente prospetiva, uma vez que o estudo do passado deve estar ligado ao presente e ao futuro destes sistemas ferroviário-portuários, pelo que devem ser tomadas iniciativas para estabelecer ligações com as instituições que gerem estas instalações, com vista à sua preservação. É verdade que não existem muitos vestígios, uma vez que, para além da escassa investigação sistemática sobre o assunto, a própria evolução das instalações — que foram sendo renovadas com base na reforma das anteriores — resultou nesse legado escasso e incompleto.

O seminário foi encerrado com uma sessão de perguntas dirigidas ao orador pelos participantes, o que permitiu abordar questões sobre os aspetos mais relevantes da palestra de Joan Alemany. A transversalidade e a pluralidade estiveram muito presentes neste seminário, que contou com a participação de historiadores, geógrafos, economistas, arquitetos, pedagogos, etc., provenientes da Argentina, do Brasil, de Cuba, de Espanha, do México e de Portugal.

Foi, portanto, uma experiência muito positiva que terá continuidade no próximo mês com um novo seminário: «Vigo Urzaiz. Da estação ao trampantojo. Reflexões sobre a conservação do património», que será ministrado pela professora da Universidade Politécnica de Valência, na quarta-feira, 11 de outubro, às 19 horas (hora de Espanha).