TsT41. 2020.
Artigos
♦ Carlos Larrinaga (coordenador)
Apresentação
♦ Steve Hagimont
Uma história ambiental da economia do turismo: os Pirenéus desde o final do século XVIII até ao início do século XX
Resumo:
Este artigo propõe a integração do imaginário e do ambiente no estudo da economia, com o objetivo de compreender melhor a transformação de elementos da natureza, não só em recursos económicos, mas também em produtos competitivos no mercado global. Para tal, toma-se como exemplo o turismo nos Pirenéus entre o final do século XVIII e o início do século XX; ou seja, durante o primeiro século da longa história de uma atividade icónica da modernidade ocidental, contemporânea da industrialização e particularmente persistente, num macício montanhoso que foi pioneiro nesta área. Prestando especial atenção aos atores envolvidos na mercantilização do ambiente pirenaico, este artigo mostra a precocidade do ordenamento turístico e a importância de algumas das ações nesse domínio no lado francês. Aponta igualmente indícios do crescimento das receitas provenientes desta atividade e analisa a difusão transfronteiriça de certos benefícios e, sobretudo, de certos efeitos sobre o ecossistema induzidos pela economia do turismo. O lado espanhol, à primeira vista mais atrasado, fazia parte do atrativo dos Pirenéus como uma cordilheira fronteiriça que dava acesso à Espanha, imaginada no século XIX como um Oriente próximo cultural e natural.
♦ Carmelo Pellejero e Marta Luque
Ascensão e declínio da Semana Santa como produto turístico na Málaga do período entre as duas guerras, 1918-1939
Resumo:
Ao longo da década de 1920, o movimento das irmandades, liderado desde 1921 pela Agrupação de Irmandades e apoiado pelas autoridades e por grande parte da sociedade, conseguiu transformar a Semana Santa num dos principais produtos turísticos de Málaga. No entanto, esse evento desapareceria das suas ruas após os incêndios e saques de que foram alvo a maioria das suas igrejas e edifícios religiosos em maio de 1931, e não voltaria a ser celebrado com regularidade, embora de forma muito mais modesta, até ao fim da Guerra Civil. Assim, durante os anos trinta, Málaga ver-se-ia privada, em consequência da barbárie, de uma atividade que, na década anterior, tinha contribuído para gerar recursos significativos, para projetar o seu nome no exterior e para atrair, na primavera, um número crescente de turistas.
♦ Saida Palou
Patrimonialização cultural, propaganda política e desenvolvimento turístico em Barcelona durante a autarquia franquista (1939-1959)
Resumo:
O presente artigo analisa as ligações entre o desenvolvimento turístico, a valorização do património cultural e a realização de eventos de caráter internacional, e a propaganda e publicidade turística impulsionadas pela administração central e local em Barcelona, num quadro cronológico complexo e particular (1939-1959). Durante este período, a administração turística de Barcelona atuará como um braço do governo central, associando o turismo à ideia de desenvolvimento, paz e prosperidade e promovendo campanhas e iniciativas destinadas a atrair e reter visitantes. Por seu lado, o setor do alojamento crescerá de forma desorganizada e desarticulada. O presente artigo realiza uma análise histórica numa perspetiva sociopolítica dos factos e discursos da administração local em matéria de turismo, com base essencialmente em fontes documentais das próprias instituições analisadas.
♦ Patrizia Battilani
Os anos em que tudo mudou: o turismo italiano entre 1936 e 1957
Resumo:
Em Itália, os anos compreendidos entre 1936 e 1957 são normalmente analisados separadamente devido à ruptura que representou a Segunda Guerra Mundial e o regresso a um regime democrático. Aqui propomos uma perspetiva unificada. Afinal, muitas das inovações funcionais que constituiriam a base «tecnológica» do turismo de massas no período pós-Segunda Guerra Mundial já tinham sido concebidas no período fascista, como a substituição do comboio por automóveis e aviões, o surgimento de uma oferta de alojamento em pequenos hotéis acessíveis à classe média e a maior atenção dada às atividades recreativas e desportivas. No entanto, tudo foi narrado no âmbito de uma ideologia e simbolismo que remetiam para o conceito de nação e força (esta foi uma inovação suave, ligada à dimensão estética e simbólica).
Após a Segunda Guerra Mundial, quando os italianos e os europeus voltaram a sair de férias, a verdadeira mudança ocorreu em termos de inovação suave, com a reformulação do significado do consumo e da sua relação com o poder político: o consumo estabeleceu-se como um ritual coletivo da nova sociedade europeia e foram propostas novas imagens através das quais se inseriu na nova narrativa do Estado democrático. O turismo esteve no centro desta transformação.
♦ Donatella Strangio
Turismo e lazer na Europa meridional: a Itália desde a proclamação do império até aos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial
Resumo:
Este trabalho propõe uma análise do desenvolvimento e da gestão do turismo, com especial atenção ao sul da Itália, num período que abrange os anos que vão desde a proclamação do Império Italiano até aos imediatamente posteriores ao fim do segundo pós-guerra. As fontes inéditas utilizadas incluem algumas relacionadas com as contas da Cassa per il Mezzogiorno e outras que se encontram no arquivo histórico do Banco. O estudo faz uma breve análise dos projetos que caracterizaram as políticas turísticas nessa área em particular, bem como do esforço para contextualizar as políticas de intervenção que deveriam ter tido em conta as experiências e a história anteriores e a necessidade de avançar com planos de ação integrados.
♦ Elisa Pastoriza
Consumo e lazer dos trabalhadores. Hotelaria sindical na Argentina (1940-1990)
Resumo:
O presente estudo debate, no contexto de um processo social ocorrido no século XX de «conquista das férias», o nascimento, o processo e a difusão da hotelaria sindical. Um fenómeno singular, pouco difundido noutros centros turísticos do mundo. Aborda-se o surgimento do alojamento das organizações operárias com o programa de «turismo social» do primeiro peronismo e o seu desenvolvimento posterior, especialmente durante os governos ditatoriais, como o do general Onganía. Nessa linha, analisa-se o processo de mudança no consumo e na oferta do serviço nos principais centros turísticos nacionais, bem como a sua comparação com o alojamento privado e estatal. O trabalho coloca no centro da análise a ligação entre os primeiros enclaves turísticos que se constituíram em cenários do quadro de democratização social, em especial na província de Córdoba e na cidade de Mar del Plata. Em síntese, o artigo aborda as origens, a difusão, a procura e a oferta, os espaços e o papel das organizações sindicais e do Estado entre 1940 e 1990.
Críticas
♦ Juan Hernández Andreu
Rafael Vallejo e Carlos Larrinaga, Asorigens do turismo moderno em Espanha. O nascimento de um país turístico 1900-1939
♦ Juan Manuel Matés-Barco
Yolanda Blasco-Martel e Carles Sudrià i Triay, O Banco de Barcelona, 1874-1920. Declínio e falência
♦ David Carvajal de la Vega
María Isabel del Val Valdiviso, A perceção da água na Idade Média
♦ Mercedes Fernández-Paradas
Pere-A. Fàbregas Naturgy, Naturgy. 175 anos de compromisso com a energia e a sociedade
♦ Fernando Villar Chamorro
Teresa Tortella, Miguel Ángel López-Morell e Víctor Arroyo, O acesso aos arquivos empresariais, Contribuições para a História Económica