29 de outubro de 2015.

Artigos

♦ Rafael Alcaide González
A construção da rede ferroviária de Barcelona (1848-1992). Notas históricas para um projeto inacabado
Resumo:
Em 1848, quando foi inaugurada a primeira linha ferroviária, Barcelona era uma cidade fortificada. Por este motivo, as empresas ferroviárias estabeleceram as suas estações e linhas ferroviárias fora das muralhas, sem estarem ligadas entre si. Ao longo da segunda metade do século XIX, as fusões comerciais das diferentes empresas ferroviárias determinaram a necessidade de construir ligações ferroviárias entre todas as estações da cidade.
Para tal, foram concebidos, a partir de 1859, diversos planos para a construção de ligações ferroviárias na cidade, que foram sempre implementados de forma parcial, sem formar uma rede ferroviária capaz de satisfazer a procura real de passageiros e mercadorias que, de forma crescente, se verificou na cidade de Barcelona, durante o século XX. Atualmente, milhares de passageiros sofrem diariamente, na rede ferroviária suburbana de Barcelona, as consequências e os transtornos decorrentes destas falhas de previsão.

♦ Antonio Burgos Núñez, Juan Carlos Olmo García e María Paz Sáez Pérez
O Caminho de Vélez, a sobrevivência de uma estrada da Espanha do Iluminismo
Resumo:
Durante o reinado de Carlos III, no âmbito do programa iluminista de desenvolvimento das infraestruturas de transportes como meio de modernização do país, foi promovida a construção de uma estrada que ligasse Málaga à vizinha localidade de Vélez. A sua concretização ocorreu entre 1787 e 1789, sob a direção técnica de engenheiros militares, capazes de projetar e construir as notáveis obras de terraplenagem e construções auxiliares que o traçado incluía.
Durante muito tempo, foi a principal infraestrutura de comunicações da região, até ser substituída por outra estrada mais moderna no final do século XIX. Embora tenha perdido então a sua utilidade, esta infraestrutura não desapareceu. Chegaram até aos nossos dias grande parte do seu traçado e quase todos os seus elementos principais. Hoje constituem um valioso património da História da Construção que se pretende dar a conhecer com este artigo.

♦ Ernesto García Fernández
Negócios de armas e meios de transporte em Espanha no final do século XV: As contas de Lope García de Mújica, agente ao serviço de Isabel, a Católica
Resumo:
A história das vias e meios de transporte na Idade Média ainda é pouco conhecida. As contas de Lope García de Mújica constituem uma fonte documental interessante nesse sentido. A informação analisada permite avaliar o valor económico das armas adquiridas em Álava, Guipúzcoa e Biscaia, os meios de transporte utilizados e o custo do transporte das mercadorias até à Andaluzia, o seu destino final. Os efeitos económicos do transporte e o impacto social dos transportadores no comércio são, frequentemente, questões relevantes pouco abordadas nos estudos medievais. O objetivo é contribuir para um melhor conhecimento destas questões.

♦ Rosa Vaccaro
Giovanni Montemartini, vereador responsável pelos serviços tecnológicos da Câmara Municipal de Roma na administração Nathan (1907-1912)
Resumo:
Desde que Roma se tornou a capital da Itália, a sua administração constituiu um grave problema e o Estado italiano teve de contribuir para as obras necessárias à sua modernização com a promulgação de várias leis especiais. A partir de 1871, o número de habitantes da cidade aumentou consideravelmente; no entanto, a sua economia não sofreu transformações significativas. Em consequência disso, o setor determinante foi sempre o da construção. Isso alimentou fortes tensões especulativas que o Estado tentou controlar, impondo a elaboração de um plano urbanístico. Em 1909, foi aprovado o Plano Sanjust, que previa uma expansão considerável da cidade e a formação de novos bairros para cidadãos de baixos rendimentos. Isso criou graves tensões na oferta de serviços fundamentais, como a produção e distribuição de gás e eletricidade e os transportes. Em 1907, Ernesto Nathan foi eleito presidente da Câmara de Roma e Giovanni Montemartini foi nomeado assessor dos serviços tecnológicos. Ambos travaram uma intensa batalha pela criação de empresas municipais para aumentar a oferta de serviços e reduzir o seu preço. Realizaram importantes obras, mas não alcançaram os resultados propostos no programa eleitoral do Blocco Democratico.

♦ Verónica L. Cáceres
As origens e a evolução dos serviços de água e saneamento na província de Buenos Aires, Argentina (1883-1973)
Resumo:
O objetivo central do presente trabalho é caracterizar as tendências assumidas pela intervenção do Estado na prestação de serviços de água potável e saneamento na província de Buenos Aires (PBA), Argentina, durante o período de 1882 a 1973.
Desde o final do século XIX, o Estado provincial interveio ativamente na prestação desses serviços através do estabelecimento de um dispositivo normativo-institucional mediante o qual, por um lado, regulava aspetos parciais do setor e, por outro, prestava os serviços numa parte relevante do território.
Assim, a evolução dos serviços, antes da criação da empresa provincial Obras Sanitarias da Província de Buenos Aires em 1973, tem duas etapas distintas: uma de institucionalização incipiente dos serviços (1882-1913) e outra de consolidação da prestação (1913-1973).

Críticas

♦ Carlos Larrinaga
Marc Gigase, Cédric Humair e Laurent Tissot, O turismo como fator de transformações económicas, técnicas e sociais (séculos XIX-XX)
♦ Miguel Muñoz
Juan Carlos Cena, Ferrovias Argentinas. Destruição/recuperação
♦ Rafael Barquín
Ana Cardoso de Matos e Magda Pinheiro, História, património e infraestruturas do Caminho de Ferro. Visões do passado e perspetivas do futuro