Diccionario Biográfico de los ferrocarriles ibéricos
Diccionario Biográfico de los ferrocarriles ibéricos
Dicionário biográfico dos caminhos-de-ferro ibéricos
Manuel Vieira Tomé
Manuel Vieira Tomé (Nascimento em Tomar em 1887, morte em Lisboa na prisão do Aljube a 23-4-1934). Funcionário de escritório da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Pertencia ao Socorro vermelho. Foi dirigente do Sindicato do Pessoal da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses. Em 1918 e 1920 participou em ações de Solidariedade com a Revolução Russa. Integrou o comité revolucionário e a comissão de melhoramentos do Pessoal da CP. A 15 de março de 1828 foi preso por ordem superior e entregue à Polícia de Informação do Ministério da Justiça em Santarém. Sendo então acusado de estar implicado no chamado “complô do Entroncamento”. Foi novamente preso a 1 de abril, sendo libertado a 8 de Julho de 1928. Foi também presidente da Caixa Económica Operária. Voltou a ser preso a 30 de setembro de 1930, “ por ser um agitador perigoso e por fazer parte de uma comissão encarregue de levar a cabo um congresso dos trabalhadores dos transportes”. Libertado, em 7 de maio de 1831, integrou a Federação Nacional dos Transportes e Comunicações da qual foi um dos principais fundadores. O combate político vai intensificar-se a partir de então. Participa na organização da greve geral de 18 de Janeiro de 1834, organizada pelo conjunto das organizações sindicais, para lutar contra a proibição dos sindicatos livres e a criação de sindicatos corporativos.
Está envolvido na sabotagem que se traduz no descarrilamento de um comboio na Póvoa de Santa Iria. É preso pela última vez a 16 de abril de 1934 na sequência do papel que desempenhou na organização e no desenrolar da greve.
Foi torturado até à morte. Infligiram-lhe choques elétricos na cabeça, partiram-lhe os ossos dos dedos das mãos e arrancaram-lhe as unhas. Um dirigente do Socorro Vermelho da época, Vasco de Carvalho, contaria mais tarde: “pelo relatório da autópsia obtivemos a prova de que [Manuel Tomé] fora torturado: os vincos que apresentava no pescoço indicavam que o instrumento que o estrangulara estava perpendicular à coluna vertebral. Ora quando uma pessoa se enforca, os vincos são inclinados em relação à coluna vertebral. Portanto ele fora estrangulado na Polícia”. A causa de morte que consta na sua ficha é o suicídio por enforcamento com os lençois.
O jornal da Associação A Voz do Operário, em Junho de 1934, dá a notícia da sua morte, elogiando o seu espírito culto e referindo que o funeral, realizado a 27 de Junho de 1934, reuniu muitos participantes. Estes não seriam só membros da classe operária mas também funcionários da CP.
Magda Pinheiro
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