TsT46. 2021.
Artigos
♦ Ángel Calvo
Regulação e investimento nas telecomunicações: a radiotelegrafia em Espanha, 1905-1961
Resumo:
A chegada da radiotelegrafia à Espanha e a sua implantação têm sido narradas com amplitude e rigor por especialistas provenientes sobretudo do campo da engenharia e também por historiadores generalistas. Este artigo justifica-se, em última instância, por uma abordagem mais próxima da história económica e empresarial, caracterizando-se, além disso, pelo recurso a fontes primárias de caráter oficial e privado. Está estruturado em quatro grandes secções, que incluem o quadro legislativo da radiotelegrafia em Espanha, os fatores determinantes do mercado – incerteza, resposta dos investidores e oligopólio –, a reestruturação empresarial com a criação da Transradio Española S.A. e o dilema entre monopólio ou concorrência.
♦ María Olga Macías Muñoz
Ferrovia e tecido urbano em Bilbau: uma cidade industrial com a ferrovia como eixo central (1850-2020)
Resumo:
Durante o último quartel do século XIX, Bilbau foi o epicentro de um processo de industrialização no qual o caminho-de-ferro desempenhou um papel determinante. Rapidamente se tornou o eixo de uma extensa rede ferroviária de via estreita, cujas estações terminais se juntaram à terminal primitiva da primeira linha construída em via larga. A construção destas estações terminais respondeu às necessidades que surgiram no momento da construção de cada ferrovia, sem que houvesse a exploração conjunta de nenhuma delas. Os problemas decorrentes da falta de uma estação que centralizasse o transporte ferroviário em Bilbau afetavam negativamente o tráfego rodoviário geral da cidade e o seu desenvolvimento urbano. Além disso, as melhorias nas estações baseavam-se mais em fundamentos ferroviários e comerciais, sem que houvesse um contexto de melhoria urbana. Neste artigo, analisam-se os elementos-chave para compreender estas intervenções.
♦ Horváth Csaba Sandór
O papel dos caminhos-de-ferro entre dois blocos durante a Guerra Fria na Hungria
Resumo:
Após a Segunda Guerra Mundial, as diferentes agendas das duas superpotências (Estados Unidos e União Soviética) levaram ao estabelecimento de duas ordens mundiais separadas pela Cortina de Ferro. A Hungria tinha uma importância geopolítica para a União Soviética, como zona de amortecimento militar. Após a derrota soviética da revolução de 1956, permaneceu dentro do bloco de Leste. A Cortina de Ferro, que foi fisicamente inaugurada em 1949, bloqueou, em teoria, as linhas ferroviárias húngaras para a Áustria. Na prática, porém, as coisas eram ligeiramente diferentes. O troço Budapeste-Győr-Hegyeshalom (-Viena) dos Caminhos de Ferro Estatais Húngaros (MÁV) era considerado a principal artéria ferroviária da Hungria. Na linha ferroviária Szombathely-Szentgotthárd (-Graz), o tráfego era ininterrupto, mas com um volume menor. A linha principal da ferrovia Győr-Sopron-Ebenfurth (GYSEV), inaugurada em 1875 e de propriedade conjunta da Áustria e da Hungria, e os Fertővidéki HÉV (Ferrovias Locais) sob a sua gestão, eram ainda mais excecionais. Assim, a ferrovia dos tempos da monarquia e as ferrovias locais sob a sua administração não deixaram de existir, mas continuaram a operar entre dois países e dois sistemas mundiais, de uma forma única. Neste artigo, pretendo ilustrar que a Cortina de Ferro não era uma barreira hermética entre a Áustria e a Hungria. Havia algumas brechas na barreira, sendo a mais óbvia delas a ferrovia utilizada para a migração ilegal e o contrabando. O meu estudo centra-se nessas três linhas principais, considerando que eram as principais artérias para o tráfego transfronteiriço de grande volume.
♦ Pablo Sanz
A transformação da procura no corredor Madrid-Barcelona após a implantação do comboio de alta velocidade (2004-2017)
Resumo:
A linha ferroviária de alta velocidade Madrid-Barcelona é uma das principais infraestruturas de transporte construídas em Espanha nas últimas décadas, e a sua inauguração representou um marco neste setor no que diz respeito à sua composição e à transformação da procura que provocou. Para analisar e quantificar este fenómeno, é necessário estudar a alta velocidade ferroviária em Espanha em geral e como tem sido historicamente a ligação entre as duas principais cidades espanholas; mas é fundamental, acima de tudo, estudar os dados da procura para compreender as consequências que a implantação da alta velocidade gerou e quais foram os seus fatores determinantes concretos. A análise é, basicamente, uma aproximação à alta velocidade ferroviária, tomando como referência os seus vinte e cinco anos de história em Espanha, principalmente do ponto de vista da procura, para estudar os efeitos que a sua introdução provocou através dos seus próprios dados.
Críticas a obras atuais
♦ Breno Albuquerque Brandão Borges
Eduardo Romero de Oliveira (ed.), Memória Ferroviária e Cultura do Trabalho: Balanços Teóricos e Metodologias de um Registo de Bens Ferroviários numa Perspectiva Multidisciplinar – II
♦ José Manuel Lopes Cordeiro
Ana Cardoso de Matos e Julián Sobrino Simal (dir.), Sheila Palomares Alarcón, Armando Quintas, Fernanda de Lima Lourencetti e Pietro Viscomi (eds.), Património Industrial Ibero-Americano: Abordagens Recentes
♦ Eduard Gargallo
Bárbara Direito, Terra e Colonialismo em Moçambique. A Região de Manica e Sofala sob a Companhia de Moçambique, 1892-1942
♦ João Lourenço Monteiro
Tiago Saraiva e Marta Macedo (eds.), Capital Científica – Práticas da Ciência em Lisboa e a História Contemporânea de Portugal
♦ Mercedes Fernández-Paradas
Manuel Silva Suárez (ed.), Técnica e Engenharia em Espanha VIII. Do Noventayochismo ao Desenvolvimentismo
Resenhas de clássicos
♦ Miguel Muñoz Rubio
Jesús Moreno Fernández, A Largura da Via nos Caminhos de Ferro Espanhóis. De Espartero a Alfonso XIII
♦ Gabriel Tortella
Miguel Muñoz Rubio, Renfe (1941-1991). Meio século de caminhos-de-ferro públicos
♦ Antonio Díaz Fernández
José Miguel Rodríguez Bugarín e Carlos Nárdiz Ortiz (coord.), O Caminho-de-Ferro no Noroeste de Espanha