TsT42. 2020.

Artigos 

♦ Luis Enrique Otero e Nuria Rodríguez-Martín
A transformação das infraestruturas em Espanha (1900-1936): a eletricidade e o petróleo como motores da modernidade da sociedade urbana
Resumo:
A expansão urbana do primeiro terço do século XX foi possível graças ao surgimento das duas fontes de energia que caracterizaram a segunda industrialização. A eletricidade – energia que movia comboios, elétricos e o metro – e o petróleo – autocarros, camiões, táxis e automóveis –, que impulsionaram os sistemas de transporte público e privado nos grandes aglomerados urbanos. Se a eletricidade foi importante para a mobilidade urbana, não o foi menos para o desenvolvimento dos sistemas de iluminação pública e a consequente expansão das redes elétricas urbanas. Da mesma forma, para a construção das redes telegráficas e telefónicas espanholas. A iluminação pública e os transportes urbanos impulsionaram a primeira expansão das redes elétricas, rapidamente acompanhadas pelo consumo para fins industriais, comerciais e domésticos. A redução das tarifas e os acordos com câmaras municipais, empresas de transportes e grandes indústrias favoreceram a constituição de grandes empresas de eletricidade.

♦ Donatella Strangio
Reservas de cereais e dívida pública em Itália: um estudo de caso sobre uma relação original no coração da Europa (1965-2000)
Resumo:
Este artigo pretende examinar mais detalhadamente um aspeto pouco conhecido das reservas de cereais após a Segunda Guerra Mundial: a intervenção financeira relacionada com as reservas obrigatórias em Itália no que diz respeito ao financiamento da dívida pública. A transição das reservas voluntárias para as obrigatórias, embora com algumas semelhanças nos procedimentos técnicos, tinha objetivos diferentes: a primeira visava a proteção dos produtores e a segunda a dos consumidores; na primeira, a organização e o período de financiamento gravavam em torno do setor privado; na segunda, prevalecia a intromissão estatal, que se sobrepunha ao setor privado, tendo de intervir com disposições legislativas. O Estado assumiu a responsabilidade por uma política ad hoc de racionamento alimentar. Originalmente, o «papel de armazenamento» não era diferente, do ponto de vista da mobilidade, do «documento comum» que os bancos apresentavam ao Banco de Itália para o redesconto e, ao aceitá-los para o redesconto, o Banco de Itália seguia os mesmos critérios utilizados para aceitar o «papel comum». A gestão do armazenamento obrigatório foi concluída de forma rotineira ao longo do ano, uma vez que as receitas das vendas de produtos costumavam ser suficientes para cobrir os custos de funcionamento e, por inversão, liquidar os empréstimos bancários e, consequentemente, qualquer empréstimo do Banco de Itália. Posteriormente, ficou estabelecido que o financiamento era acordado anualmente com os organismos ministeriais para a totalidade da quota das letras criadas pelo Banco de Itália que este se tinha comprometido a re-descontar. Com a entrada em vigor da Comunidade Económica Europeia.

♦ Miguel Muñoz Rubio
O Sindicato Nacional Ferroviário: quatro décadas de luta contra o franquismo no exílio e na clandestinidade
Resumo:
A historiografia das organizações operárias ferroviárias durante o franquismo é praticamente inexistente. O presente artigo tem como objetivo fazer uma primeira aproximação à história de um dos dois grandes sindicatos ferroviários: o Sindicato Nacional Ferroviário (SNF). Integrado na UGT, o SNF, após ter desempenhado um papel hegemónico durante o primeiro terço do século XIX, desmoronou-se em consequência da repressão franquista; no entanto, analisa-se também a influência que nisso tiveram outras circunstâncias próprias surgidas desde a insurreição de 1934. Em segundo lugar, estuda-se como se reorganizou no exílio e no interior e, em particular, quais foram os seus principais recursos. E, por último, examinam-se as principais estratégias e opções táticas que utilizou, ao longo destas quatro décadas, para sobreviver e lutar contra a ditadura do general Franco.

♦ Lionel Barbagallo e Eduardo Martín
Financiar o crescimento da empresa argentina. O caso da Alpargatas S.A. (1921-1950)
Resumo:
Nos últimos anos, tem-se revitalizado, no âmbito dos estudos empresariais, a análise da situação contabilística, financeira e económica das organizações. Em particular, tanto as atas do conselho de administração como os balanços foram redescobertos como fontes de informação. Ao mesmo tempo, a história económica voltou a observar o comportamento dos mercados de valores, tanto dos títulos públicos como dos privados. Por isso, é interessante observar e analisar o comportamento económico de uma grande empresa argentina que cotava na Bolsa de Valores de Buenos Aires. A Fábrica Argentina de Alpargatas S.A. é uma empresa que iniciou as suas atividades no setor têxtil em 1884. O seu crescimento e expansão chamaram a atenção dos historiadores, tanto por ser uma empresa têxtil industrial surgida num contexto de apogeu da agroexportação, como pelo seu sucesso. Neste trabalho, analisam-se os relatórios e balanços da empresa, para reconstruir a sua evolução económica durante vários períodos críticos: a década de 1920, a crise de 1930 e o peronismo (1946-55). Isto permitirá demonstrar que o grande crescimento da empresa foi financiado através do mercado, sem recorrer à reinvestimento de lucros. Por fim, será comparado o seu desempenho com o de outras grandes indústrias do período.

Críticas

♦ Jesús Mirás Araujo
Juan Manuel Matés-Barco e José Juan Pablo Rojas, Água e serviços públicos em Espanha e no México
♦ Miguel Muñoz Rubio
Mercedes Fernández-Paradas e Carlos Larrinaga, O impacto da Guerra Civil espanhola no setor terciário
♦ Santiago de Luxán Meléndez
Miguel Suarez Bosa, O porto de Casablanca no século XX: uma fonte de desenvolvimento para Marrocos
♦ Juan Manuel Matés-Barco
Germán Rueda, Isabel II (1830-1904). Breve biografia