TsT36. 2018.
Artigos
♦ Florencia D’uva
Um episódio na luta pela regulamentação do trabalho ferroviário na Argentina: a greve dos maquinistas e foguistas de 1912
Resumo:
Este trabalho investiga a greve dos maquinistas e foguistas dos caminhos-de-ferro argentinos no início de 1912. Este conflito representou um desafio para o sindicato «La Fraternidad», cujos filiados de todo o país abandonaram o trabalho simultaneamente pela primeira vez na sua história. Também as empresas e o governo tiveram de enfrentar as consequências da paralisação do tráfego ferroviário. Esta investigação reconstitui o desenrolar da greve, prestando atenção às reivindicações, exigências e ações desenvolvidas pelos trabalhadores durante o conflito. Entende-se que a análise do mesmo constitui um ponto de vista privilegiado para examinar como os ferroviários viviam as suas condições de trabalho e de vida, articulando exigências que interpelavam tanto as empresas como o Estado. A investigação baseia-se num vasto corpus documental que inclui jornais sindicais, partidários e nacionais, documentação interna da La Fraternidad, histórias oficiais do sindicato ferroviário, memórias e relatórios elaborados por instituições governamentais e pelas empresas.
♦ Alcides Goularti e Fábio Farias
Demanda nacional e política industrial: uma análise comparada da indústria da construção naval no Brasil e no México, 1970-2002
Resumo:
O objetivo deste artigo é descrever e analisar de forma comparativa a história económica da construção naval brasileira e mexicana de 1970 a 2002. O período inclui a continuação da forte industrialização na década de 1970, a crise da dívida externa dos anos 1980 e a reestruturação produtiva neoliberal dos anos 1990 a 2002, com a mudança política no Brasil e no México. O foco principal recai sobre os processos institucionais, produtivos e políticos, com ênfase no papel do Estado na promoção do desenvolvimento do setor da navegação.
♦ Aurora M. Martínez Corral
Estudo arquitetónico comparativo entre estações ferroviárias históricas (1848-1929) e atuais em Espanha. Crónica do silencioso desaparecimento do património
Resumo:
Muitas das principais estações históricas foram substituídas por edifícios banais que justificam a sua existência com base em conceitos como a funcionalidade ou a segurança. Valores materiais, como a configuração espacial e a materialidade, ou imateriais, como o espírito do lugar ou a memória coletiva associada, foram eliminados ou substancialmente reduzidos. Este trabalho realiza uma análise crítica comparativa entre os edifícios de passageiros das estações históricas e os seus substitutos, com o objetivo de determinar o que está realmente a acontecer com este património e qual a distância existente entre as declarações e as ações. Não estamos apenas a perder qualidade arquitetónica com as novas construções, mas também parte da nossa memória recente, bem como parte dos espaços públicos. Este silencioso desaparecimento consentido e a desafetação coletiva podem levar-nos à triste conclusão de que estes edifícios históricos estão condenados a morrer ou a perder o seu estatuto patrimonial em nome da sua mercantilização e possível especulação.
♦ Miguel Muñoz Rubio
«Le couronnement de l’oeuvre». O papel do caminho-de-ferro na obra de Karl Marx. Uma abordagem no 150.º aniversário da publicação de O Capital
Resumo:
O objetivo deste artigo reside em realizar uma análise do papel que a ferrovia desempenhou na obra de Karl Marx. Para tal, foram estudados os seus cadernos de trabalho, as suas obras publicadas e a sua correspondência. O resultado deste exercício aponta, em primeiro lugar, que, durante uma primeira fase que vai desde a sua integração na Gaceta Renana até à sua chegada a Inglaterra, as suas principais contribuições residiram em considerar o caminho-de-ferro como um dos responsáveis pela revolução dos transportes que tornou possível a consolidação do capitalismo e em defender que este fizesse parte da propriedade pública. E, em segundo lugar, durante a sua estadia britânica, Marx estudou como o caminho-de-ferro, enquanto mais uma modalidade da indústria dos transportes, operava na produção e circulação do capital.
Críticas
♦ Margarita Vilar-Rodríguez
André Straus & Leonardo Caruana de las Cagigas, Destaques da História do Resseguro
♦ por Begoña Villanueva
José Manuel Huidobro Moya e Miguel Vergara Trujillo, 30 anos do setor das telecomunicações em Espanha
♦ Jesús Miras Araujo
Raimundo Otero Enríquez, Sociologia e história da cidade desconcentrada
♦ Rafael Barquín
Martín Rodrigo y Alharilla, A marinha mercante a vapor em Barcelona (1834-1914)