TsT35. 2018.
Artigos
♦ Andrea Giuntini
O papel dos engenheiros nos caminhos-de-ferro italianos (1870-1920)
Resumo:
Este artigo descreve a trajetória dos engenheiros ferroviários italianos desde a Unificação em 1861, quando se encontravam bastante atrasados em comparação com os seus colegas que trabalhavam no estrangeiro, até aos anos posteriores à Primeira Guerra Mundial. Foi um percurso profissional que os levou a atingir níveis de excelência, em alguns setores, tanto no plano organizacional como técnico. A nacionalização dos caminhos-de-ferro em 1905 representou, deste ponto de vista, um momento histórico crucial para a sua formação profissional.
♦ Francisco de los Cobos Arteaga
Os engenheiros e a produtividade das divisões técnicas na formação do duopólio ferroviário Norte de Espanha-MZA
Resumo:
Este trabalho analisa o papel desempenhado pelos engenheiros na formação do duopólio ferroviário Norte-MZA e apresenta a hipótese de que a organização das grandes empresas espanholas foi determinada pelas obrigações governamentais de serviço público. Na estrutura das empresas ferroviárias, desenvolveram-se divisões técnicas, negligenciando-se os aspetos comerciais, em contraste com as empresas americanas, mais atentas aos clientes. Esta investigação recorre à bibliografia sobre gestão ferroviária, mas também a fontes primárias arquivísticas, ainda pouco analisadas. Nas conclusões, caracterizam-se dois estilos de gestão. No Norte, seguia-se a inércia das práticas ferroviárias estabelecidas em França, consistentes em aumentar as receitas com base num monopólio geográfico, sem controlar os custos. O estilo da MZA, com maior autonomia nas decisões, procurava um equilíbrio mais eficaz dos resultados líquidos.
♦ Ángel Mª Ormaechea Hernaiz
Charles Vignoles, Engenheiro-Chefe e Amigo Compositor na Linha Ferroviária de Tudela a Bilbau
Resumo:
Esta comunicação é composta por três partes de extensão desigual. A primeira, muito breve, apresenta os principais traços biográficos de Charles Blacker Vignoles. A segunda, também breve, apresenta o trabalho de Vignoles como Engenheiro-Chefe da Linha Ferroviária de Tudela a Bilbau, atualizando os antigos projetos nos quais assenta a linha ferroviária. A terceira secção centra-se no papel de Vignoles como Juiz Conciliador ou Mediador. Uma vez terminado o período de garantia da linha, surgiram divergências entre os construtores e os gestores da Linha Ferroviária de Tudela a Bilbau, e as partes recorreram a Vignoles para que este resolvesse, definitivamente, as divergências. A decisão precipitou a declaração de suspensão de pagamentos da Companhia.
♦ Jairo Fernández Fernández
Raoul Dautry. Gestor de pessoas (1920-1937)
Resumo:
Este trabalho caracteriza a figura do engenheiro ferroviário francês Raoul Dautry em torno das suas funções como organizador e engenheiro social, que o fizeram destacar-se dos seus contemporâneos. Para tal, centra-se a atenção em três das suas ações mais notáveis: a aplicação da Organização Científica do Trabalho aos caminhos-de-ferro, a criação das cidades-jardim da Compagnie des Chemins de Fer du Nord e a conceção da escola de aprendizes da Compagnie des Chemins de Fer de l’État. Por fim, é abordado o seu afastamento do mundo ferroviário e a sua ascensão como figura da tecnocracia, terreno em que abre novos caminhos.
♦ Víctor Manuel Heredia Flores
O engenheiro José Bores Romero e a questão ferroviária (1918-1922)
Resumo:
Com o fim da Primeira Guerra Mundial, surgiu em Espanha o chamado problema ferroviário. As dificuldades financeiras das empresas deram origem a um amplo debate em que o setor privado exigia um aumento das tarifas, enquanto se abria uma corrente favorável ao intervencionismo estatal. Diferentes projetos de lei e medidas do governo visavam uma maior participação estatal no financiamento do sistema, que teve um primeiro marco legislativo no Estatuto Ferroviário de 1924. O engenheiro José Bores Romero participou no debate com vários artigos na Revista de Obras Públicas entre 1918 e 1922, nos quais propunha a estatização das linhas, a criação de organismos, a descentralização administrativa, a conclusão da rede, a eletrificação e a adoção da bitola europeia. Embora o seu plano não tenha ido além da imprensa especializada, as suas ideias anteciparam os passos que o processo de nacionalização seguiu e que culminaram na criação da RENFE.
♦ Hugo Silveira Pereira
Francisco Maria de Sousa Brandão (1818-1892), «mestre dos mestres» dos traçados ferroviários
Resumo:
A segunda metade do século XIX em Portugal caracteriza-se pela trajetória de vários homens da ciência e da tecnologia, que aplicaram os seus conhecimentos e a ideologia sansimoniana adquirida em diversas instituições de ensino europeias na modernização do país. Entre eles, encontramos Francisco Maria de Sousa Brandão, um engenheiro português que se tornou um especialista no estudo e na construção de caminhos-de-ferro. Este artigo acompanha a carreira técnica de Sousa Brandão, a partir do conceito de pessoa científica, uma categoria situada entre a biografia individual e a instituição social em que se insere.
Para tal, recorreremos a um vasto leque de fontes provenientes de vários arquivos e bibliotecas, que nos permitem acompanhar a trajetória de Sousa Brandão. Pretendemos ilustrar a relevância da sua biografia no programa de obras públicas implementado em Portugal na segunda metade do século XIX, em particular no planeamento e construção dos caminhos-de-ferro, e na formação da personalidade do engenheiro/tecnocrata português especialista no setor ferroviário. Ao mesmo tempo, analisaremos como esta figura influenciou também a trajetória de Sousa Brandão.
Críticas
♦ Ramón Santonja Alarcón
Lino Camprubí, Os engenheiros de Franco. Ciência, catolicismo e Guerra Fria no Estado franquista