25 de outubro de 2013.
Dossiê
♦ Paulo Cesar Gonçalves
Passageiros de Terceira Classe. O transporte de emigrantes na história económica da Navigazione Generale Italiana
Resumo:
A partir da década de 1860, a emigração italiana atingiu grande dimensão, tornando-se um problema nacional e uma fonte de receitas para as companhias marítimas que operavam no Atlântico. Em Itália, os meios de comunicação social desempenharam um papel decisivo no financiamento da substituição dos antigos veleiros por navios a vapor mais modernos. Fundada em 1881, a Navigazione Generale Italiana (NGI) não se destinava ao transporte de passageiros. Atuava no comércio de mercadorias, juntamente com os serviços postais amplamente subsidiados pelo Estado. Através da incorporação das empresas genovesas que transportavam emigrantes, num processo de concentração que transformaria a companhia marítima na maior de Itália, a NGI abriu as suas portas ao próspero negócio da emigração para as Américas. Com base nos Relatórios e Balanços Financeiros da Companhia entre os anos de 1881 e 1915, nos documentos relativos à marinha mercante e na legislação de emigração (leis de 1888 e 1901), este artigo tem como objetivo apresentar alguns resultados da investigação sobre a importância do tráfego de emigrantes italianos para a Navigazione Generale Italiana, destacando o processo de especialização da sua frota neste tipo de serviço.
♦ Fernando Mendiola Gonzalo
O trabalho forçado em infraestruturas ferroviárias durante o regime de Franco (1938–1957): uma estimativa quantitativa
Resumo:
Este artigo aborda o trabalho de prisioneiros e prisioneiros de guerra na ampliação e reconstrução de vias férreas durante a Guerra Civil Espanhola e a ditadura de Franco. Numa primeira parte, são apresentados os problemas metodológicos que devem ser superados para avançar neste tipo de investigação, com especial destaque para a dispersão e incompletude da documentação histórica acessível aos investigadores. Posteriormente, apresenta-se uma estimativa do volume global de prisioneiros e detidos nestas infraestruturas, avançando numa análise diferenciada por tipo de trabalho realizado: reparação dos danos da guerra, trabalhos na via dupla e abertura de novas linhas ferroviárias. Em cada uma destas modalidades, analisa-se a evolução cronológica da presença da mão de obra forçada, bem como as principais obras em que esta participou.
♦ Paulo Roberto Cimó Queiroz
Uma rede transnacional: os caminhos de exportação da erva-mate de Mato Grosso, Brasil (1882-1902)
Resumo:
Com o fim da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1870) e a consolidação da abertura do rio Paraguai à livre navegação brasileira, ganhou impulso a exploração económica das florestas nativas de erva-mate (Ilex paraguayensis) no extremo sul da província brasileira de Mato Grosso. Atribui-se ao empresário Tomás Laranjeira, que conseguiu praticamente monopolizar os matagais de erva-mate do sul do Mato Grosso, a criação de uma complexa estrutura de transporte da erva-mate, que se estendia pelos territórios do Brasil e do Paraguai em direção à Argentina, o principal e quase único mercado de consumo. A empresa foi sucedida, de 1891 a 1902, pela sociedade anónima Companhia Mate Laranjeira (CML), que manteve e ampliou, com algumas alterações notáveis, a estrutura de transporte herdada do período anterior. O presente trabalho, baseado sobretudo em documentos da CML, procura situar o estabelecimento dessa rede de transportes no contexto dos diversos interesses que rodeavam o empreendimento e demonstrar, ao mesmo tempo, o caráter verdadeiramente «transnacional» assumido por essa rede.
♦ Ignacio Pérez-Soba Diez del Corral
Os telégrafos óticos florestais na Espanha do século XIX
Resumo:
Os telégrafos óticos surgiram no final do século XVIII como o primeiro sistema moderno para transmitir mensagens à distância, através de códigos engenhosos. Introduzidos em Espanha em 1799, foram substituídos pela telegrafia elétrica a partir de 1855. No entanto, continuaram a ser utilizados durante anos em linhas locais, em operações militares e, o que é menos conhecido, na prevenção de incêndios florestais. Para este último fim, foi instalado em 1879 um sistema de telegrafia ótica nas montanhas de Valsaín (Segóvia), pelos célebres engenheiros florestais Roque León del Rivero, Rafael Breñosa e Joaquín María de Castellarnau. Este telégrafo ganhou grande fama em agosto de 1879 por ter sido o primeiro a alertar para um acidente da comitiva real na Serra de Guadarrama. Devido a este sucesso, em 1881 foi ordenada a instalação de outros aparelhos semelhantes em várias zonas florestais de Espanha, estando documentada a instalação de pelo menos um, de vida muito efémera, em Zuera (Saragoça). O artigo descreve o telégrafo de Valsaín e compila os dados sobre o seu funcionamento, que se documenta pelo menos até 1888, bem como as notícias sobre a aplicação da telegrafia ótica noutras montanhas de Espanha.
♦ Armando López Rodríguez
Pioneiros e primeiros passos do serviço telefónico em Madrid: 1878-1886
Resumo:
As primeiras experiências com telefones em Espanha prenunciavam uma implantação mais rápida do serviço telefónico público, tal como estava a ocorrer noutros países desenvolvidos da nossa região. Em Madrid, desde o próprio ano de 1878, vários pioneiros propuseram iniciativas para oferecer este serviço, mas tiveram de lutar contra a indecisão por parte das diferentes administrações, bem como contra as dúvidas e a falta de ideias claras sobre a estratégia correta a seguir em relação à nova tecnologia, o que, no final, influenciou de forma significativa – após vários anos a lutar pela tão esperada autorização – o facto de não terem conseguido obtê-la.
♦ Dominique Pinsolle
As greves dos assinantes de gás em França (1892-1914): greves de consumidores entre outras?
Resumo:
Na viragem dos séculos XIX e XX, a contestação das tarifas do gás em França assume uma forma original. Os utilizadores desta energia organizam, em várias cidades, boicotes às empresas concessionárias, que são então concebidos e designados como uma forma particular de greve. Enquanto começam a surgir organizações de consumidores e se multiplicam os movimentos de protesto contra o «custo de vida elevado», os assinantes de gás aparecem aos olhos de alguns observadores como uma categoria de consumidores entre outras, cuja mobilização se insere num movimento mais amplo que constitui o consumidor como força política autónoma. Na realidade, estas greves revelam-se tanto um episódio na luta clássica que opõe o pequeno e o grande capital como um conflito inovador entre consumidores e produtores.
♦ Gabriele Balbi, Simone Fari e Giuseppe Richeri
Especialidades suíças. A influência da Confederação Helvética nas origens da União Telegráfica, 1855-1875
Resumo:
O artigo analisa, com base em novas fontes, as origens da União Telegráfica Internacional (atual União Internacional das Telecomunicações), descrevendo, em particular, o papel económico, político e técnico desempenhado pela Suíça na sua criação e na sua peculiar estrutura organizacional durante o período de 1855 a 1875. A história da União Telegráfica tem sido negligenciada pela história das telecomunicações e o papel da Suíça nas suas origens tem sido praticamente ignorado pelos historiadores. O papel da Suíça assenta em três características: 1) a sede do Bureau era Berna, a capital suíça; 2) até à Segunda Guerra Mundial, o secretário da União era um funcionário suíço; 3) o Bureau era um órgão diretamente controlado pelo governo suíço. O nosso principal argumento é que a política económica suíça, centrada na neutralidade, na diplomacia, no internacionalismo e na capacidade técnica, influenciou significativamente as origens da União Telegráfica.
♦ Pablo Gutiérrez González
A evolução do setor dos seguros na Andaluzia durante o primeiro terço do século XX
Resumo:
As mudanças estruturais que a economia andaluza sofreu nas primeiras décadas do século XX afetaram profundamente a organização do setor segurador na região. Às novas dinâmicas surgidas na estrutura produtiva juntam-se as alterações normativas que, no âmbito das novas tendências para o nacionalismo económico, afetaram o tecido empresarial do mundo dos seguros. A partir dos dados recolhidos na Estatística da Contribuição sobre a riqueza mobiliária, este artigo procura traçar a evolução do setor nas diferentes conjunturais provinciais e as relações a nível regional, utilizando para tal os dois elementos principais desta atividade: a empresa de seguros e o mediador. Neste sentido, o estudo centrou-se no peso e na distribuição dos diferentes ramos, bem como no comportamento do capital estrangeiro na região e nas suas relações tanto com o tecido económico local como com o Estado.
♦ Luis Miguel Prados Rosales
Estações ferroviárias no vale do Alto Guadiato (Córdoba): arquitetura e tipos
Resumo:
A evolução das regiões mineiras no território nacional apresenta uma série de constantes, nas quais se destaca, pela sua importância como agente estruturante, a presença do caminho-de-ferro. Desde o arranque destas regiões, a sua presença impulsionou o dinamismo e a conectividade, bem como contribuiu para articular um território através da relação entre os diferentes agentes produtivos do fenómeno da industrialização. Na bacia carbonífera do Guadiato, a norte da Serra Morena de Córdoba, a presença de entidades como a MZA, os Ferrocarris Andaluzes e a Sociedade Mineira e Metalúrgica de Peñarroya moldou o espaço ferroviário que hoje conhecemos. A partir da sua presença e da orientação produtiva destas ferrovias, a arquitetura das estações que pontuam esta paisagem partilha de algumas constantes que, ao mesmo tempo, se tornam singulares em cada empresa. Tornar visível a importância destas ferrovias, destacar as suas características arquitetónicas, com especial ênfase nas estações, e integrá-las no património da paisagem produtiva do vale do Guadiato, constitui um exercício fundamental para promover o seu conhecimento, conservação e divulgação.
Críticas
♦ Tomás Martínez Vara
Antonio Plaza Plaza, O sindicalismo ferroviário em Espanha: das sociedades mutualistas aos sindicatos da indústria (1870-1936)
♦ Daniel Castillo Hidalgo
Jonathan Curry-Machado, Histórias Globais, Mercadorias Imperiais, Interações Locais
♦ Carlos Larrinaga
Josemari Lorenzo Espinosa, História económica da história
♦ Begoña Villanueva García
Sebastián Olivé, O telégrafo. Um relato da sua jornada centenária
♦ Juan Manuel Matés Barco
Carlos Larrinaga, Câmaras Provinciais e Infraestruturas no País Basco durante o primeiro terço do século XX (1900-1936). O caso de Guipúzcoa (portos, caminhos-de-ferro e estradas
♦ Miguel Muñoz Rubio
José Ramón Cruz Mundet, A Arquivística. Gestão de documentos e administração de arquivos