Diccionario Biográfico de los ferrocarriles ibéricos
Dicionário biográfico dos caminhos-de-ferro ibéricos 

Leonildo de Mendonça e Costa (1849-1923)

Leonildo Augusto Mendonça e Costa conhecido por Leonildo de Mendonça e Costa, nasceu em Lisboa na extinta freguesia do Sacramento no dia 5 de novembro de 1849, filho de José Fortunato da Costa e Maria Isabel de Mendonça e faleceu no dia 18 de março de 1923. Estas informações e as que se seguem surgiram na Gazeta dos Caminhos de Ferro, no primeiro número publicado após a sua morte e no Suplemento à Gazeta nº 1485 de 1 de novembro de 1949, publicação comemorativo do centenário do seu nascimento.    
A morte prematura dos pais impediu-o de prosseguir estudos. Contudo, os seus pais” lhe legaram uma razoável bagagem de instrução” (1).
Iniciou a sua atividade profissional aos 21 anos num escritório de “umas agências hipotecárias (2). Em 1872 entrou para o Jornal da Noite de António Teixeira de Vasconcelos como redator. A falência do jornal levou-o a ter de encontrar alternativa tendo entrado na Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses como praticante de estação, iniciando assim, uma carreira que o levou a Chefe de Repartição.

Fotografia Leonildo Mendonça e Costa. Fonte: capa do nº 871 da revista Gazeta dos Caminhos de Ferro de 1 de abril de 1924.

Fundador, diretor e proprietário da Gazeta dos Caminhos de Ferro (3) até 1923, ano da sua morte, Leonildo de Mendonça e Costa, escritor, jornalista, inspetor-chefe da Repartição do Tráfego da Companhia Real dos Caminhos de Ferro, foi para além disso fundador e diretor da Empreza de Annuncios nos Caminhos de Ferro; colaborador da Gaceta de los Camiños de Hierro de Madrid, onde escreveu vários artigos em defesa dos interesses e sobre os caminhos-de-ferro portugueses; colaborou nos jornais Diário de Notícias, Jornal do Comércio e das Colónias e no Comércio do Porto onde era responsável pelas respetivas secções sobre os caminhos-de-ferro. Foi também, segundo a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (4), correspondente de vários jornais açorianos, tendo colaborado igualmente com a Revista de Turismo.
Em parceria com José Duarte do Amaral fundou o Guia Oficial dos Caminhos de Ferro, cuja publicação se iniciou em 1882. Em 1888 fundou a Gazeta dos Caminhos de ferro com o subtítulo de Portugal e Espanha que se publicou até 1971. Foi também autor do Manual do Viajante em Portugal, elaborado nos moldes dos Guides Bleu franceses ou dos Baedeker, publicação que teve várias edições e foi continuada por Carlos de Ornelas.
Entre 1876 e 1878 publicou ainda os Almanaque da Senhora Angot e Almanach dos Teatros muito conhecido na época. Foi ainda autor de várias comédias representadas no Teatro do Ginásio(5) e criou também os semanários “O Recreio” (6) e “Rossi”(7).
Num texto publicado no jornal Comércio do Porto em 19 de Março de 1925 e transcrito na Gazeta, foi apontado como percursor do turismo em Portugal pelo incentivo dado a esta área, através dos relatos das suas viagens pelo mundo ( foi o português mais viajado do seu tempo), pela criação da tarifa P.4 viagens circulares em Portugal, (tarifa que tornava mais económicas as viagens turísticas), e pelo facto de ter sido mentor e fundador da Sociedade Propaganda de Portugal “…fundou-a com um punhado de amigos que como ele sonhavam na grandeza da pátria por meio da riquíssima indústria do turismo.”(8), tendo sido redator do seu programa e eleito seu secretário perpétuo, cargo que só abandonou após a implantação da República “(…) por um gesto de desalento que teve no dia em que viu desaparecer o antigo regime a que era muito affeiçoado”(9). Esta Associação fundada em 1906 

incluía entre os seus objetivos a promoção do país entre nacionais e estrangeiros e o incentivo a que o mesmo fosse conhecido e visitado.
Considerado como um verdadeiro apaixonado pelo turismo, dedicou uma parte da sua vida a viajar.
Mendonça e Costa iniciou o seu ciclo de viagens em 1882 e terminou o mesmo em 1922.
Mendonça e Costa foi retratado pelos que com ele privaram como sendo metódico e organizado, possuidor de uma grande capacidade de trabalho, um temperamento irrequieto, um espírito justo, leal e patriota. Referia-se aos seus empregados na Gazeta como colaboradores.
O reconhecimento do trabalho que desenvolveu em prol dos caminhos-de-ferro portugueses foi determinante para que lhe fosse concedido o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo.
Foi sócio de várias sociedades culturais e científicas como a Associação dos Escritores e Artistas de Madrid, de que foi sócio honorário, e a Sociedade de Geografia de Lisboa. Desempenhou ainda o cargo de Vice-cônsul da Argentina em Lisboa.
Mendonça e Costa dirigiu a Gazeta dos Caminhos de Ferro procurando que esta tivesse um alto padrão de qualidade, espelhado na escolha criteriosa dos colaboradores da revista, na procura da diversidade temática, para além do tema base que eram os caminhos-de-ferro, e do que na época era considerado com interesse e de acordo com o sentido de progresso civilizacional. Na homenagem de que foi alvo por parte da Sociedade de Propaganda de Portugal em 1933 Alberto Brandão da direção desta Sociedade referiu-se a Mendonça e Costa da seguinte forma

“foi o semeador fervoroso do turismo nesta nossa terra. Foi o iniciador apostólico da Sociedade Propaganda de Portugal, precursora de todas as nossas instituições turísticas actuais(10).

A Câmara Municipal de Lisboa, em Edital de 28 de novembro de 1932, nove anos após a sua morte, determinou atribuir o seu nome a um largo da freguesia da Penha de França.

                         Elói de Figueiredo Ribeiro

Notas

[1] Idem p.98.
[2] Idem.
[3] A Gazeta dos Caminhos de Ferro publicou-se entre 1888 e 1971, num total de 1935 números.
[4] Mendonça e Costa (Leonildo de) in Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira vol. XVI, p.912.
[5] Uma mulher Homem; Safa que Susto; O Homem da Bomba; Os Escravos do Trabalho e O Segredo do Médico.
[6] Publicou esta “folha semanal instrutiva e literária” em parceria com M.M. Ribeiro, Lisboa, Imprensa de J.G. Sousa Neves, 1866.
[7] In Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1344 de 16/12/1943, p.590.
[8] Gazeta dos Caminhos de Ferro, nº 895 de 1 de março de 1925, p. III.
[9] Gazeta dos Caminhos de Ferro, nº 847 de 1 de abril de 1923.
[10] Gazeta dos Caminhos de Ferro nº 1087 de 1 de abril de 1933, p.216.