TsT16. 2009.

Dossiê

♦ Andrea Giuntini
A evolução do gás na Itália: do carvão ao metano, desde as origens no século XIX até aos dias de hoje.
Aspetos económicos, tecnológicos e financeiros numa perspetiva comparativa

Resumo:
O ensaio aborda a questão do gás na Itália, desde as primeiras experiências do século XIX até às grandes transformações que o setor sofreu nos últimos anos. A história do gás na Itália é constituída por uma miríade de histórias locais e desenvolve-se durante muito tempo fora de um plano estratégico. Desde a sua primeira difusão, na década de 1840, o gás apresentava-se como uma grande inovação tecnológica e um possível negócio económico, explorado sobretudo por grupos estrangeiros. A iluminação permaneceu no centro do setor até ao período pós-Primeira Guerra Mundial, quando outras utilizações se impuseram, a par das mudanças nos estilos de vida. O gás natural começa a surgir no panorama energético entre as duas guerras, mas torna-se um verdadeiro protagonista da economia italiana com Enrico Mattei e a constituição da Eni. A crise que se seguiu ao choque do petróleo de 1973 impulsiona uma forte integração das várias formas de energia e dá-se início a um planeamento das infraestruturas e dos serviços numa escala que vai além da urbana. Uniões entre o setor privado e o público traçam uma nova visão da gestão da distribuição de gás. Prevalecem critérios de gestão de tipo empresarial e as antigas empresas municipais desaparecem. O panorama das empresas de gás em Itália mudou nos últimos vinte anos, levando à transformação dos serviços públicos em sociedades anónimas.

♦ Ana Cardoso de Matos
Indústria do gás e modernização urbana: Lisboa nos séculos XIX e XX
Resumo:
A modernização das cidades, verificada a partir de meados do século XIX, insere-se no processo de globalização que favoreceu a circulação de bens, capital e mão de obra e criou novas oportunidades para que as empresas ligadas às infraestruturas urbanas, nomeadamente ao gás, investissem noutros países. A partir da segunda metade do século XIX, o investimento estrangeiro em Portugal foi determinante para a criação de infraestruturas urbanas modernas nas cidades portuguesas. Este investimento foi acompanhado por novos procedimentos técnicos e administrativos e por uma transferência de tecnologia. Esta transferência de tecnologia foi também favorecida pela formação de técnicos no estrangeiro e pelas visitas de estudo de engenheiros e industriais a outras cidades e às exposições universais e internacionais. Por outro lado, a maior integração das cidades, sobretudo portuárias, numa economia internacional e nas rotas de circulação de pessoas, foi determinante para a requalificação urbana e para a modernização das infraestruturas, de modo a que estas respondessem aos novos padrões de saúde pública, higiene, conforto e bem-estar das populações urbanas. Este texto pretende analisar a criação das redes de gás em Lisboa, tendo em conta alguns dos aspetos anteriormente referidos, e a evolução do consumo de gás nesta cidade.

♦ Mercedes Arroyo
A história da indústria do gás em Espanha. Um balanço de vinte anos de estudos
Resumo:
Apresentamos, em primeiro lugar, as características das redes em geral e os fatores que influenciam o seu crescimento, centrando-nos, sobretudo, nas redes de gás. Em seguida, faz-se uma descrição das principais linhas de investigação desenvolvidas em Espanha desde a década de 1980 e algumas das suas ligações com outras redes europeias, cujo objetivo é criar uma metodologia própria para o estudo das redes no seu conjunto. Apresentaremos, também, uma lista de fontes – muitas delas inéditas – nas quais se encontra informação sobre o desenvolvimento histórico da indústria do gás em Espanha, principalmente para o período compreendido entre o século XIX e a primeira metade do século XX. Nas nossas conclusões, refletimos sobre o futuro do estudo das redes energéticas. Por último, na bibliografia é apresentado um inventário das publicações que abordaram o desenvolvimento das redes, com especial ênfase nas de caráter teórico, bem como algumas obras sobre o desenvolvimento do gás na Europa e uma seleção das contribuições para a história do gás em Espanha.

♦ Mercedes Fernández-Paradas
Empresas e serviço de iluminação pública a gás em Espanha (1842-1935)
Resumo:
Este trabalho analisa a evolução da indústria do gás dedicada à iluminação pública em Espanha, desde 1842 — ano em que, pela primeira vez, uma cidade espanhola, Barcelona, passou a usufruir regularmente deste serviço — até 1935. Para tal, estuda os seguintes aspetos: as características das empresas; as relações entre as empresas de gás e as câmaras municipais, com especial ênfase nas disposições normativas que as regulavam; o número de localidades que dispunham de iluminação a gás; o volume de produção de gás destinado à iluminação; e as receitas geradas por este negócio. Abordará também os fatores que explicam o declínio deste sistema de iluminação em benefício da eletricidade.

♦ Alberte Martínez López e Jesús Mirás Araujo
As empresas e os municípios na indústria do gás na Galiza, 1850-1936
Resumo:
Os serviços públicos locais têm sido um cenário tradicional de confrontos entre as administrações locais e as empresas privadas concessionárias. O artigo procura aprofundar a complexidade destas relações, a partir do que aconteceu no setor do gás galego, desde a sua criação na cidade de A Coruña, em meados do século XIX, até à Guerra Civil. O trabalho está estruturado em duas grandes etapas. Numa primeira parte, analisa-se a implantação e o desenvolvimento da iluminação a gás durante a fase de monopólio do fornecimento energético. A segunda parte inicia-se com a concorrência que a iluminação elétrica começou a representar aproximadamente no final do século XIX e a consequente reformulação das relações entre autarquias e empresas de gás que isso implica.

♦ Elvira Lindoso Tato
Declínio e recuperação do setor do gás na Galiza, 1936-2005
Resumo:
O trabalho centra-se no estudo do declínio das fábricas de gás galegas após a Guerra Civil e na sua posterior recuperação na década de 1990. O regresso ao gás ocorreu num novo contexto e com objetivos distintos dos do século XIX. Enquanto a iluminação pública continuava dominada pelas empresas de eletricidade, o gás destinava-se a usos domésticos e industriais, onde também competia com a eletricidade. Além disso, o quadro legislativo foi decisivo na evolução deste serviço, uma vez que as alterações introduzidas nos últimos anos alteraram drasticamente o funcionamento do mercado do gás, tanto do ponto de vista das empresas distribuidoras como dos consumidores.

♦ Pere-A. Fàbregas i Vidal
Barcelona e o gás, uma relação de 200 anos
Resumo:
O trabalho faz um rápido percurso pela história do gás e a sua relação com a cidade de Barcelona, mas também da empresa, agora denominada Gas Natural SDG, que sempre fez de Barcelona a cidade pioneira neste setor em Espanha. Apresenta, igualmente, as atividades no setor da eletricidade também relacionadas com a cidade e as suas contribuições para o património histórico e arquitetónico, sem esquecer as implicações sociais da sua atividade. Concluindo com a apresentação de algumas reflexões sobre a evolução dos trabalhos relacionados com a história da indústria do gás em Espanha.

♦ Alexandre Fernández
A primeira economia política do gás em Santander (de 1852 até à concorrência d
e da eletricidade)

Resumo:
O estudo do caso de Santander no que diz respeito à implantação e ao primeiro desenvolvimento da indústria do gás, bem como à administração e gestão do serviço, permite observar o nível e a forma de intervenção dos diferentes agentes. O papel tanto dos empresários como da administração municipal foi determinado pelo nível dos recursos técnicos e financeiros de uns e de outros. A primeira etapa corresponde à construção deste quadro de relações. Na segunda, observa-se como uma espécie de equilíbrio institucional e técnico se insere na regulamentação da empresa concessionária, até que a concorrência no setor elétrico altera tudo.

Património Histórico

♦ Esmeralda Broullón Acuña
A ontologia da imagem na diáspora contemporânea da pesca galega
Resumo:
No artigo que se segue, apresentamos uma coleção de fotografias etnográficas que dão a conhecer a diáspora ocorrida em meados do século XX de uma parte da frota pesqueira galega para o Atlântico Sul e o seu estabelecimento no porto de Cádis. Da mesma forma, expõem-se algumas orientações sobre a ontologia da imagem, com o objetivo de aplicar uma teoria e uma metodologia etnohistóricas que nos aproximam do imaginário coletivo dos trabalhadores do mar.

Críticas

♦ Mercedes Fernández Paradas
Alberte Martínez (dir.), Elvira Lindoso e Jesús Mirás, Engasa, um grupo pioneiro e
e no setor energético galego, 1982-2007

♦ Andrés Sánchez Picón
Miguel Ángel López Morell, A Casa Rothschild em Espanha
♦ Gregorio Núñez Romero-Balmas
Carlos Larrinaga, O engenheiro civil Manuel Peironcely (1818-1884). Modernização
e obras públicas na Espanha do século XIX
♦ Manuel Titos Martínez
Domingo Cuéllar Villar e Andrés Sánchez Picón (Diretores), 150 anos de ferrovia
e na Andaluzia: um balanço

Jesús Mirás Araujo
 Joseba Lebrancón Nieto, O Consórcio da Zona Franca de Vigo. Indústria, comércio e desenvolvimento urbano
♦ Sofía Rodríguez López
José María Gago González, O pequeno comércio no pós-guerra castelhano. Da cartilha de racionamento aos supermercados
♦ José María Ortiz-Villajos
Hugh Thomas, Barreiros. O motor de Espanha