No âmbito dos seminários organizados pelo Grupo de Estudo «City, Rail and Port», teve lugar a intervenção do professor da Universidade de Valladolid e sócio da ASIHF, Luis Santos Ganges (https://orcid.org/0000-0002-0232-7969) com a palestra «A relação porto-caminhos-de-ferro-cidade durante o franquismo através das ligações ferroviárias».
A plataforma Cidade, Ferrovia e Porto tem como objetivo estabelecer uma rede interuniversitária de investigadores, técnicos, ativistas e instituições que se centrem em linhas de investigação que combinem os estudos das cidades, das ferrovias e dos portos, tendo também em conta os aspetos imateriais destas relações. E organiza-se com a integração inicial de quatro instituições universitárias: a Universidade de Évora-CIDEHUS (Portugal), a Universidade Rey Juan Carlos de Madrid (Espanha), a Universidade de Valladolid (Espanha) e a Universidade de Sevilha (Espanha).

Na sua apresentação, Luis Santos y Ganges analisou os principais problemas que afetaram estas políticas durante o regime de Franco. Começou por definir o conceito de «ligação ferroviária», algo que, na sua opinião, é difícil de concretizar, uma vez que depende da utilização instrumental do conceito em cada contexto (técnico, político ou urbanístico). Salientou na sua análise que o caminho-de-ferro foi considerado um meio de transporte fundamental para o desenvolvimento económico de Espanha durante o franquismo. No entanto, as políticas de infraestruturas ferroviárias durante este período foram marcadas por uma série de problemas que limitaram a sua eficácia.

Um dos principais problemas foi a falta de planeamento. Os investimentos em infraestruturas ferroviárias foram realizados de forma descoordenada e sem uma visão global. Isto levou à construção de linhas ferroviárias que não correspondiam às necessidades reais do país. Outro problema foi a falta de recursos. Os investimentos em infraestruturas ferroviárias foram limitados, o que impediu a construção de novas linhas e a modernização das já existentes.

O orador salientou também que as políticas de infraestruturas ferroviárias durante o regime de Franco foram marcadas por uma série de interesses políticos e económicos. As linhas ferroviárias foram construídas com base em critérios políticos, como o controlo do território, e em interesses económicos, como o lucro das empresas concessionárias.
Após apresentar um panorama da situação em várias cidades europeias, utilizando cartografias históricas do início do século XX, centrou-se nos casos de estudo de Alicante e La Coruña. No caso concreto destas duas cidades, as obras de ligação ferroviária aos seus portos tiveram início na década de 1950 e prolongaram-se durante as décadas seguintes. Em La Coruña, foi construída uma nova linha ferroviária que ligava o porto à estação de San Cristóbal. Esta linha, que entrou em serviço em 1959, permitiu melhorar a ligação do porto com a cidade e com o resto do país. Em Alicante, foi construída uma nova estação ferroviária no porto, que entrou em serviço em 1962. Esta estação, situada no próprio recinto portuário, facilitou o transporte de mercadorias e passageiros entre o porto e a cidade.

Com base nesta análise, conclui-se que as políticas de infraestruturas ferroviárias principais durante o regime de Franco não atingiram os seus objetivos ou, na verdade, nem sequer chegaram a ser concretizadas.

Julián Sobrino (Universidade de Sevilha)