Realizou-se o IV Encontro de História Ferroviária «Universidade de Valladolid»
No passado dia 12 de junho, realizou-se na Universidade de Valladolid o IV Encontro de História Ferroviária «Universidade de Valladolid», dedicado a explorar o impacto que teve em Espanha a entrada em funcionamento da primeiraferrovia pública do mundo entre Stockton-on-Tees e Darlington (Reino Unido). O encontro foi inaugurado por María del Valle Santos Álvarez, Reitora da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade de Valladolid, que destacou a oportunidade de acolher um seminário dedicado a um meio de transporte que foi, e continua a ser, fundamental para a economia e a sociedade; e Pedro Pablo Ortúñez, diretor do Departamento de História Económica da Universidade de Valladolid, que sublinhou a importância que teve a inauguração da Linha Ferroviária Stockton-on-Tees-Darlington, tendo em conta que foi o início de um sistema de transportes sem o qual a história contemporânea teria sido muito diferente.
O encontro teve início com a intervenção de Miguel Muñoz, historiador e presidente da ASIHF, que explicou a contribuição de Marcelino Calero para a difusão inicial do caminho-de-ferro em Espanha. Liberal e maçom, esta difusão foi levada a cabo, a partir do seu exílio em Londres, em primeiro lugar, tentando construir e explorar uma linha ferroviária entre Jerez de la Frontera e El Puerto de Santa María. Mas, acima de tudo, transformando oSeminário de Agricultura e Artes no principal meio de divulgação dos principais avanços que se estavam a verificar em Inglaterra, explicando em que consistiam e defendendo o papel modernizador que este estava chamado a desempenhar.
Em seguida, interveio Juan Carlos Ponce, doutor em Filologia Hispânica, explicando como aconstrução das primeiras ferrovias na Europa deu origem às primeiras manifestações literárias que tinham a ferrovia como protagonista; estas, apesar da existência de algumas reservas tradicionalistas, os poetas e romancistas exaltam o novo meio de transporte como principal símbolo de progresso. Ele salientou que, por volta de 1840, foram publicados os primeiros testemunhos literários de escritores que viajaram para além das nossas fronteiras e narraram em primeira pessoa a descoberta das primeiras ferrovias. Entre eles destacaram-se Mesonero Romanos, Modesto Lafuente ou Jacinto Salas, cujas citações ele leu como exemplo do que referiu.
Após uma breve pausa, Francisco de los Cobos, professor da Universidade de Castela e La Mancha, abordou o surgimento dos primeiros tratados técnicos sobre as vias férreas em Espanha, nomeadamente manuais técnicos ferroviários traduzidos de obras de engenheiros europeus de renome, como o britânico Tredgold e o alemão von Gerstner. Estas edições, complementadas com introduções e notas pessoais, procuraram divulgar o conhecimento técnico internacional e adaptá-lo ao contexto espanhol. Numa segunda fase, ligada à construção das primeiras linhas ferroviárias, explicou como os manuais elaborados por engenheiros franceses, participantes na formação das empresas espanholas, se consolidaram como referências. Embora este fluxo de conhecimento tenha influenciado a aprendizagem dos técnicos nacionais, o seu impacto na bibliografia especializada espanhola foi limitado, com poucas exceções de contribuições originais, como as de alguns inventores.
E, por último, Francisco Polo Muriel, Diretor de Investigação Histórica e Documentação da FFE, explicou o acervo documental mais antigo e representativo que faz parte do acervo documental conservado por esta instituição através do seu Arquivo Histórico Ferroviário e da Biblioteca Ferroviária. Esses fundos remontam aos primórdios do caminho-de-ferro
ferroviário na Europa e abrangem diversos temas, tais como os primeiros tratados técnicos ferroviários, relatórios sobre os primórdios deste novo meio de transporte, relatórios de exploração das primeiras companhias ferroviárias constituídas em Espanha e processos arquivísticos, que, sem dúvida, permitem constatar os primeiros vestígios deste novo meio de transporte ferroviário no nosso território.