Realizou-se o III Encontro de História Ferroviária em Valladolid
No passado dia 20 de junho, realizou-se o III Encontro de História Ferroviária na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade de Valladolid. Organizado pela ASIHF, contou com a colaboração da referida faculdade, do Instituto Universitário de História de Simancas e do Grupo de Investigação em História Económica.
O Encontro foi inaugurado por María del Valle Santos Álvarez, Reitora da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais, que sublinhou a pertinência de organizar eventos colaborativos desta natureza; e por María Concepción Porras Gil, diretora do Instituto de História de Simancas (Universidade de Valladolid), que destacou a importância que a ferrovia teve na construção do imaginário da modernidade do século XIX, que deu origem ao mundo moderno.
Para a ASIHF, o tema deste encontro justifica-se porque o Estatuto Ferroviário de 1924, cuja promulgação se comemora a 12 de julho, por meio de um decreto real do Diretório Militar de Miguel Primo de Rivera, marcou uma viragem relevante na história ferroviária espanhola. Com efeito, o «Estatuto» pretendia resolver a crise que os caminhos-de-ferro espanhóis arrastavam desde 1914, transferindo para o Estado importantes competências que, desde as suas origens, tinham sido detidas pelas concessionárias privadas, quebrando assim, unilateralmente, o «pacto concessionário» de 1848. Embora, a curto prazo, isso tenha permitido dar resposta aos principais problemas, a longo prazo deu início a um processo de estatização do sistema ferroviário espanhol que culminou, em 1941, com a nacionalização e a criação da empresa pública Renfe.
O Encontro teve início com a palestra da professora da Universidade de Valladolid, Sofía Rodríguez Serrador, intitulada«A Ditadura de Primo de Rivera e a sociedade dos anos 20», na qual explicou o contexto político, económico e social em que se inseriu este novo quadro legislativo ferroviário.
Em seguida, o catedrático da Universidade de Valladolid, Pedro Pablo Ortúñez Goicolea, apresentou a sua palestra«A Ditadura de Primo de Rivera e o setor ferroviário: um casamento de conveniência e mal-sucedido», explicando a natureza do Estatuto, salientando que este pôs fim ao quadro iniciado em 1844 e abriu, consequentemente, uma nova etapa caracterizada pelo papel central desempenhado pelo Estado na exploração ferroviária.
Após um breve intervalo,Francisco Polo Muriel, historiador da ADIF, apresentou a sua comunicação«O Plano Guadalhorce. Uma tentativa regeneracionista falhada», na qual explicou o referido plano, evidenciando as suas pretensões e os resultados alcançados. E, por último,Miguel Muñoz Rubio, historiador da FFE e presidente da ASIHF, apresentou a palestra«A consolidação do setor de fabrico de material ferroviário ao abrigo do Estatuto Ferroviário», através da qual explicou como este setor surgiu em Espanha e o papel decisivo que o Estatuto desempenhou para a sua consolidação.
E, por último, após um animado debate, o Encontro foi encerrado.